terça-feira, 14 de maio de 2013

Resumo; livro teologia do Antigo Testamento, Ralph L. Smith. Parte.2.

3. A germinação e o crescimento da teologia do Antigo Testamento.
Se a semente do interesse na teologia bíblica pode ser vista nas obras dos que usaram textos-prova para sustentar a doutrina ortodoxa, ela foi nutrida pelos que usaram textos-prova para criticar a ortodoxia. O método de textos-prova nunca poderia produzir uma verdadeira teologia do Antigo Testamento. A teologia do Antigo Testamento é basicamente uma disciplina histórica e descritiva. Só depois da descoberta dos princípios histórico-gramaticais de interpretação é que poderia ser escrita uma verdadeira teologia do Antigo Testamento. Isso não ocorreu até a Era da Razão.
A Era da Razão foi uma conseqüência da Renascença e da Reforma. Os cruzados tinham redescoberto os clássicos gregos na ciência e na filosofia. Os pioneiros da ciência moderna, orientando-se a partir dos antigos clássicos gregos, começaram a desafiar as teorias tradicionais acerca do universo. Copérnico (1473- 1543) insistiu que o sol, não a terra, era o centro do universo; e Sir Isaac Newton (1642-1727) via o mundo como uma máquina movida por leis naturais. Os deístas ingleses, tais como Lord Herbert de Cherbury e Thomas Hobbes (1588-1679), não negavam a existência de Deus, mas excluíram da história e da natureza a revelação, os milagres e o sobrenatural.
O deísmo inglês não sobreviveu, mas o racionalismo alemão, sim. J. D. Michaelis (1717-1791) e J. D. Semier (1725-1792) foram figuras fundamentais na aplicação dos princípios do racionalismo à Bíblia. A Era da Razão descobriu o princípio histórico-gramatical de interpretação das Escrituras, desenvolveu habilidades e instrumentos apropriados para a pesquisa e libertou da autoridade da igreja e do estado os estudiosos da Bíblia e os teólogos.
Para Gabler, a teologia dogmática é didática e normativa em caráter e ensina o que um teólogo em particular decide acerca de uma matéria de acordo com seu caráter, tempo, idade, lugar, seita ou escola. A teologia bíblica é histórica e descritiva em caráter, transmitindo o que os escritores sagrados pensavam acerca de assuntos sagrados.
Gabler estabeleceu os princípios para fazer a teologia bíblica. Disse que o teólogo bíblico deve primeiro estudar cada passagem das Escrituras separadamente de acordo com os princípios histórico-gramaticais de interpretação. Segundo, deve comparar as passagens específicas das Escrituras umas com as outras, observando diferenças e semelhanças. Terceiro, deve sistematizar ou formular idéias gerais sem distorcer o material nem obliterar distinções.
O campo da teologia bíblica foi ocupado quase exclusivamente por racionalistas durante cinquenta anos depois da palestra de Gabler. Os racionalistas libertaram a teologia bíblica da influência desordenada da teologia dogmática, mas colocaram-na imediatamente debaixo da tirania do racionalismo. A influência da filosofia sobre a teologia do Antigo Testamento pode ser sentida no afastamento de W. M. L. de Wette do racionalismo extremo.
Três filósofos extraordinários que trabalharam na Europa durante a primeira parte do século XIX exerceram um efeito tremendo sobre a teologia do Antigo Testamento. Foram eles Friedrich Schleiermacher (1768-1834), pai da teologia moderna, George Wilhelm Hegel (1770-1831) e Soren Kierkegaard (1813- 1855). Schleiermacher foi um influente pastor em Berlim, que fez do sentimento de dependência a base da fé cristã. Schleiermacher tinha um baixo conceito do Antigo Testamento. “Para ele, foi por mero acidente histórico que o cristianismo se desenvolveu do solo do judaísmo.”. Hegel foi colega de Schleiermacher e de Wette na Universidade de Berlim. A característica mais importante da filosofia de Hegel é a sua natureza dialética. Para Hegel, todas as coisas no mundo têm o seu oposto, toda tese, a sua antítese. Cada tese e antítese se juntam para formar uma síntese, que se torna uma nova tese para um estágio mais elevado de pensamento ou ser. Assim, segundo Hegel, a idéia do desenvolvimento de um estágio mais baixo para um mais alto era a chave para a compreensão do segredo do universo, O efeito de tal filosofia revolucionou nosso entendimento de quase todas as áreas da vida, incluindo o estudo da teologia do Antigo Testamento. A teoria de desenvolvimento de Hegel foi quase imediatamente aplicada ao Antigo Testamento por seu aluno e colega, Wilhelm Vatke, que publicou Biblische Theologie em 1835.
Soren Kierkegaard, o “Dinamarquês Melancólico”, rejeitou a dialética de Hegel com sua ênfase no racionalismo em favor de uma ênfase existencial na experiência. A questão central para Kierkegaard era: “Que significa ser cristão—na cristandade?” Ele via no Cristianismo a verdade que os homens não conseguem descobrir por si mesmos.
4. A morte da teologia do Antigo Testamento E o triunfo da Religionsgeschichteschule.
O ano de 1878 marca o início do período de fracasso da teologia do Antigo Testamento. Naquele ano Julius Wellhausen publicou seu Prolegomena zur Geschichte Israels, culminação lógica da abordagem genética e desenvolvimentista da história da literatura e religião de Israel. Baseando sua obra na de Graf e Keunen, que o precederam, Wellhausen afirmou que os profetas do Antigo Testamento viveram antes da outorga da Lei. Ele chegou a essa conclusão em parte por meio de seu estudo do Antigo Testamento, ao julgar que os livros de Josué, Juízes, Samuel e Reis mostram pouco conhecimento das leis do Pentateuco, e em parte por causa de sua pressuposição de que todas as coisas se movem do simples para o complexo e da liberdade para o autoritarismo.
Wellhausen acreditava que a religião do Antigo Testamento desenvolveu-se a partir da religião natural. Ele não encontrou apenas uma teologia no Antigo Testamento, mas muitas teologias diferentes, todas seguindo a linha de desenvolvimento. A teologia que encontra agora no Pentateuco é uma retroprojeção da fé posterior de Israel sobre período mais antigo. Embora algumas teologias do Antigo Testamento continuassem a ser publicadas depois da obra de Wellhausen, eram em grande parte resultantes do período anterior.
5. O reavivamento da teologia do Antigo Testamento.
O que causou essa súbita mudança na teologia do Antigo Testamento? O que a trouxe de volta à vida? A principal causa da mudança na teologia e nos estudos bíblicos foi a “precipitação radioativa” da Primeira Guerra Mundial. Antes de 1917, a atitude que prevalecia no mundo ocidental era de confiança no progresso inevitável. As pessoas podiam erguer-se por seus próprios esforços de qualquer crise e transformá-la em meio para alcançar um padrão mais elevado de vida.
E então em apenas uma geração ocorreram duas guerras mundiais, com toda sua destruição, devastação, crueldade, ódio e alienação. A confiança no progresso inevitável e na bondade e capacidade inerentes à humanidade foi esmagada. As pessoas começaram a buscar uma fonte de força e uma palavra de orientação fora de si mesmas. Algumas encontraram essa força e orientação na Palavra de Deus.
Barth e Thumeysen voltaram-se para Lutero, Calvino, Kierkegaard e outros, à procura de ajuda. Desafiaram as conclusões de um século de estudos eruditos do Novo Testamento. Os leitores encontraram de imediato muitas falhas no comentário (ele foi talhado de modo tão rudimentar que Barth começou a reescrevê-lo assim que acabou), mas os estudiosos do Novo Testamento foram obrigados a reconhecer a legitimidade da abordagem teológica. Karl Barth abriu o caminho para a nova teologia dogmática que influenciou a teologia bíblica quase imediatamente. As sortes dessas duas disciplinas muitas vezes têm andado de mãos dadas. A teologia bíblica tem vivido e morrido à sombra da teologia dogmática. Um interesse renovado na teologia do Antigo Testamento começou em 1921 quando Rudolf Kittel falou em Leipzig para um grupo de estudiosos do Antigo Testamento sobre “o futuro da ciência do Antigo Testamento”. Kittel deu ênfase à incapacidade da investigação literária e histórica e pediu a “elucidação dos valores especificamente religiosos do Antigo Testamento”. Disse que os estudiosos devem fazer uma apresentação sistemática da essência da religião do Antigo Testamento e se aprofundar no segredo do poder divino em que ela se baseia.
Uma razão para o interesse renovado no Antigo Testamento depois da Primeira Guerra Mundial foi o fato de que muitos teólogos e políticos na Alemanha começaram a atacar o Antigo Testamento como parte de uma campanha de anti-semitismo. Durante os últimos anos da década de 1920 e especialmente na década seguinte, a luta na Alemanha concentrou-se no Antigo Testamento e começou a provocar pensamentos radicais sobre sua natureza e importância.
O regime nazista (1933-1945) caracterizou-se por racismo (pureza e superioridade da raça alemã), nacionalismo (supremacia do estado alemão) e ênfase na terra (santidade da pátria alemã). Por essa razão, tudo o que não era alemão ou ariano tinha de ser isolado e submetido ao controle do estado alemão. Os judeus, com sua Bíblia hebraica (Antigo Testamento), tomaram-se alvo de extermínio. Até alguns estudiosos cristãos emprestaram sua influência à eliminação dos judeus e do Antigo Testamento.
O ataque aos judeus pelos nazistas também abrangia um ataque ao Antigo Testamento e ao cristianismo. Esse ataque levou a uma reação por parte de muitos estudiosos sensíveis à Bíblia e de muitos líderes cristãos, que defenderam o Antigo Testamento como parte integrante do cânon cristão e começaram novamente a concentrar-se na mensagem do Antigo Testamento para o Israel antigo e para as pessoas modernas.
Uma das teologias mais importantes do Antigo Testamento é a obra em três volumes de Walther Eichrodt, Theologie des AlIes Testaments.
Norman Gottwald chamou a teologia do Antigo Testamento de Eichrodt “a obra isolada mais importante do seu gênero no século XX”. Robert C. Dentan chamou a obra “incomparavelmente maior que qualquer outra já publicada no campo da teologia do Antigo Testamento, tanto em termos de simples magnitude como de profundidade de percepção”.
John Baker, tradutor da Theology of lhe Old Testament de Eichrodt para o inglês, escreveu que “esta é a maior obra já escrita em seu campo, sem comparação —uma obra em que fé ardente e precisão científica se combinam para dar ao leitor uma experiência viva dessa nova realidade de Deus de que ele tanto fala”.
Eichrodt estava preocupado com seu ambiente espiritual e cultural. Estava preocupado em passar da história da religião de Israel para a “entidade completa em si mesma” no Antigo Testamento, que tem uma tendência básica e constância em meio a mudanças históricas. Eichrodt sugeriu que a “entidade completa em si mesma” é a aliança entre Javé e Israel. Para ele, a aliança era o conceito central que ilumina a unidade estrutural e a tendência básica imutável da mensagem do Antigo Testamento. A idéia da aliança era mais abrangente que o uso do termo hebraico berit. Era um símbolo conveniente da descrição de um processo vivo que começou em determinado lugar e hora a fim de revelar a realidade divina única em toda a história da religião.
Ludwig Kohler (1880-1956), professor em Zurique, era antes de tudo um estudioso de linguística. Ele e W. Baumgartner publicaram um léxico hebraico abrangente (Brill, 1953). Sua Old Testameni Theology é breve e sem documentação. Está organizada em tomo dos tópicos da teologia sistemática. A importância da obra de Kohler está em que ele, um linguista e historiador, interrompeu seu trabalho para escrever um manual breve, mas útil, sobre a teologia do Antigo Testamento.
Um dos estudiosos do Antigo Testamento mais influentes na Alemanha durante a primeira parte do século XX foi Artur Weiser. Ele não chegou a escrever uma teologia do Antigo Testamento, mas estudou o assunto com frequência. Weiser encarava a exegese como uma tarefa teológica, além de histórica e crítica. Segundo ele, ninguém compreende adequadamente uma passagem do Antigo Testamento determinando o sentido gramatical, sintático e histórico. A vida real da passagem está em sua religião (ou fé) e em seu caráter distinto. Weiser argumentou que uma visão dinâmica da realidade perpassa o Antigo Testamento, com um modo teológico de ver as pessoas e os eventos no próprio texto. Ele acreditava que sistematizar a teologia do Antigo Testamento era contrário à compreensão dinâmica do próprio Antigo Testamento, apesar de concordar que há certo valor pedagógico em ordenar fatos dispersos. Weiser seguiu Barth no argumento de que a exegese deve realizar a tarefa teológica.
Sem sombra de dúvida, um dos homens mais destacados no campo da teologia do Antigo Testamento foi Gerhard Von Rad (1901-1971). Depois de estudos abrangentes em Erlangen e Tubingen, Von Rad tornou-se pastor de uma igreja luterana na Baviera em 1925. Sua luta diária com um crescente anti- semitismo levou-o a retornar aos estudos acadêmicos do Antigo Testamento em Leipzig. Otto Procksch e Albrecht Alt guiaram-no em seus estudos e em sua dissertação, Das Gottesvolk im Deuteronomium.
Von Rad estudou a teologia do Antigo Testamento de uma perspectiva totalmente diferente de todos os seus predecessores. Ele viu uma relação muito próxima entre a teologia do Antigo Testamento e a crítica do Antigo Testamento. Todo aquele que deseja compreender a obra Teologia do Antigo Testamento de Von Rad deve estar familiarizado com suas opiniões quanto à origem e transmissão da literatura do Antigo Testamento. Uma das suas primeiras obras foi The Formcritical Problem of lhe Hexateuch, publicada em 1938, em que lançou os alicerces da sua Teologia do Antigo Testamento.
Joseph W. Groves escreveu uma dissertação doutoral sobre o método de interpretação de Von Rad (e outros), intitulado “Actualization and interpretation in the Old Testament”, em que declarou que “o alvo de uma base dentro da Bíblia para a interpretação teológico-histórica (como a de von Rad) ainda está por ser atingido”.
Edmond Jacob, professor de Strasbourg, escreveu uma teologia do Antigo Testamento substancial, mas popular em 1955. Sua obra Theologie de l’Ancien Testament foi traduzida para o inglês em 1958. Ela serviu como livro de referência popular de institutos e seminários bíblicos nesse campo por vinte anos. É clara e concisa, mas trata de modo adequado de quase todas as facetas da teologia do Antigo Testamento. Tem uma excelente introdução. A principal parte do livro segue um esboço sistemático modificado.
H. Wheeler Robinson (1872-1945), estudioso britânico batista, conseguiu combinar erudição crítica sólida e fé evangélica fervorosa. Ele afirmou que o Antigo Testamento não consistia em um sistema de doutrina, mas era principalmente um drama divino representado na arena da história, onde Deus revelou a si e sua vontade por intermédio dos seus atos. Robinson reconheceu que falar de uma “revelação histórica” é um paradoxo. A história implica algum tipo de movimento dinâmico, quer seja isso chamado progresso, quer não; revelação implica verdade estática e permanente. A solução do paradoxo da relação entre a revelação que não se prende ao tempo e a história que muda encontra-se na “vida atual”, em que revelação e história formam uma unidade mesclada. As obras de outros estudiosos britânicos que têm tratado recentemente da teologia do Antigo Testamento (O. A. F. Knight, F. F. Bruce, W. J. 1-larrelson e Ronald E. Clements) serão vistas na seção 7.
6. O movimento da teologia bíblica.
Robert Dentan chamou o período que começou em 1949 como “a era de ouro” da teologia do Antigo Testamento. Ele dizia que essa era de ouro começou com Otto Baab, The Theology of the Old Testament (1949), Otto Procksch, Theologie des Alten Testaments (1949) e Th. C. Vriezen, An Outline of Old Testameni Theology (1949). Estudiosos católicos romanos contribuíram para o campo quando Theology of lhe Old Testament, de Paul Heinisch, foi publicado (em inglês) em 1950, e Paul van Imschoot, estudioso católico francês, publicou uma obra abrangente, em dois volumes, sobre a teologia do Antigo Testamento em 1954 e 1956.
Uma nova série de monografias, Studies in Biblical Theology, foi iniciada em 1950. Até 1963 tinham sido publicados trinta e sete títulos, doze dos quais sobre o Antigo Testamento. Novas revistas foram lançadas para dar apoio ao movimento: Theology Today (1944), Interpretation (1947), The Scottish Journal of Theology (1948), além de numerosos artigos sobre a teologia do Antigo Testamento publicados em outras revistas. James Smart, “The Death and Rebirth of OId Testament Theology”; Clarence T. Craig, “Biblical Theology and the Rise of Historicism”; Muriel S. Curtis, “The Relevance of Old Testament Today”; W. A. Irwin, “The Reviving Theology of the Old Testament”; “The Nature and Function of Old Testament Theology”; W. F. Albright, “Return to Biblical Theology”.
Childs acreditava que o movimento de teologia bíblica tinha atingido um consenso em torno de cinco temas principais: 1) a redescoberta da dimensão teológica (o objetivo era penetrar no coração da Bíblia para recuperar sua mensagem e mistério, perdidos pela geração anterior); 2) a unidade de toda a Bíblia; 3) a idéia de que a revelação é histórica; 4) o caráter distinto do pensamento bíblico (hebraico); e 5) a singularidade da fé bíblica diante de outras religiões.
Childs afirmou que o movimento de teologia bíblica acabou, mas a necessidade da teologia bíblica permanece. Ele propôs uma nova forma, começando com o estabelecimento de um contexto apropriado. Transformou todo o cânon da Bíblia no contexto, e pode-se ver imediatamente que, para Childs, os dois Testamentos estão juntos, com pouco espaço para disciplinas separadas de teologia do Antigo Testamento e do Novo.
James Smart, pastor presbiteriano, professor, escritor e organizador de currículos para igrejas, respondeu a Childs. Segundo Smart, Childs criou um quadro errado do desenvolvimento da interpretação bíblica. Smart fez objeção ao uso do termo “movimento” por Childs, dizendo que ele não é apropriado para o estudo da teologia bíblica.
Smart argumentou que a teologia bíblica é internacional em sua preocupação. Ele concedeu que Childs estava correto ao falar de crise, mas errado ao localizá-la na teologia bíblica. Smart via a crise em todo o vasto empreendimento da erudição bíblica. Ele acreditava que o problema é hermenêutico. A solução para o problema é reconhecer a natureza dupla das Escrituras, que é histórica e teológica, e a impossibilidade de separar as duas.
7. A situação atual da teologia do Antigo Testamento.
A. O interesse continuado na teologia do Antigo Testamento até 1985 e o fluxo de literatura sobre o tema. Walther Zimmerli publicou seu livro Old Testament Theology in Outline em 1972. Ele considerou o Antigo Testamento um “livro de pronunciamentos”, em contraste com o conceito de Von Rad do Antigo Testamento como um “livro de história”. Zimmerli fez do primeiro mandamento seu ponto de partida e centro do seu estudo. Disse ele: “A obediência a Javé, o único Deus, que libertou Israel da escravidão e zela por ser o único, define a natureza fundamental da fé veterotestamentária”.
Georg Fohrer, editor de ZAW, publicou seu livro Theologische Grundstrukturen des Alten Testaments em 1972. O primeiro capítulo trata do problema da interpretação do Antigo Testamento. O capítulo 2 trata de revelação e o Antigo Testamento. Fohrer, como existencialista, via a revelação nas decisões de vida e morte do ouvinte. O capítulo 3 fala da diversidade de atitudes diante da vida no Antigo Testamento. O capítulo 4 estuda a questão de um centro ou ponto equidistante no Antigo Testamento, que Fohrer cria ser a soberania de Deus e a comunidade de Deus. O capítulo trata do poder transformador e do potencial da fé veterotestamentária. O capítulo 6 descreve certos elementos básicos no Antigo Testamento, como o fato de Deus se manter oculto, e seus atos na história e na natureza. O capítulo 7 faz uma aplicação, ao lidar com tópicos como a crise do ser humano, o estado e a política, pobreza e projetos sociais, o ser humano e a tecnologia, e o futuro na profecia e na literatura apocalíptica. Em 1974, John L. McKenzie, um destacado estudioso católico do Antigo Testamento, publicou A Theology of the Old Testament. Em seu prefácio, McKenzie disse que uma teologia do Antigo Testamento ou uma história de Israel oferece ao autor uma oportunidade de fazer um resumo de toda a sua obra. Depois da introdução, o livro de McKenzie tem sete capítulos: 1) culto; 2) revelação; 3) história; 4) natureza; 5) sabedoria; 6) instituições políticas e sociais; 7) o futuro de Israel, terminando com um epílogo.
Em 1978, Walter C. Kaiser, Jr., da Trinity Evangelical Divinity School, publicou seu livro Toward an Old Teslament Theology (no Brasil, publicado pela Vida Nova como Teologia do Antigo Testamento). Kaiser defendia que a teologia do Antigo Testamento funciona melhor “como serva da teologia exegética do que em seu papel tradicional de fornecer dados para a teologia sistemática” (p. viii). O principal ponto de partida de Kaiser é a idéia de que os próprios escritores do Antigo Testamento “pronunciam suas mensagens contra o pano de fundo de uma teologia acumulada que eles, seus ouvintes e agora seus leitores têm de recordar se quiserem captar a profundidade exata da intenção original da mensagem” (p. viii).
Elmer A. Martens, presidente e professor de Antigo Testamento no Mennonite Brethren Biblical Seminary, escreveu God’s Design: a Focus on Old Testament Theology. Culto e conservador, Martens, estudioso do Antigo Testamento, foi co-editor de The Flowering of Old Testameni Theology (1992). Martens afirmou que o tema que percorre todo o Antigo Testamento é o plano de Deus encontrado em Êxodo 5.22—6.8. “Plano” pode significar “centro”. Este plano tem quatro componentes: libertação, comunidade, conhecimento de Deus e vida abundante. Martens tentou fazer uma abordagem sintética (os quatro temas) e diacrônica dos três períodos da história do Antigo Testamento, que são: pré- monarquia, monarquia e período pós-exílico. Ele também tentou estudar a teologia e do Antigo Testamento de modo descritivo e normativo. É Ronald Clements é um dos estudiosos contemporâneos do Antigo Testamento mais criativos da Inglaterra. Seu interesse na teologia do Antigo é Testamento está refletido em “The Problem of Old Testament Thelogy”.  Samuel Terrien, franco-americano, formado na Universidade de Paris (1933) e no Union Seminary em Nova York (1941), lecionou no Wooster Coilege (1936-1940) e no Union Seminary (1941-1976). Terrien foi instruído nos clássicos, em arqueologia, nos estudos semíticos e na história das religiões. Seu interesse pelos semitas e por religiões comparadas ajudou-o a concentrar sua atenção na literatura de sabedoria do Antigo Testamento e no livro de Jó. Seu interesse em Jó levou-o a procurar a presença divina na ausência, busca que culminou em seu livro The Elusive Presence: Toward a New Biblical Theology. Terrien acreditava que a realidade da presença de Deus está no centro da fé bíblica, mas que essa presença é sempre elusiva, de difícil percepção.
Um dos escritores mais prolíficos no campo dos estudos do Antigo Testamento foi Claus Westermann. Ele se aposentou como professor de Antigo Testamento em Heidelberg em 1978. Escreveu comentários sobre Gênesis e Isaías 40—66, estudos abrangentes sobre os salmos e os profetas, e dois livros sobre a teologia do Antigo Testamento: What does the Old Testament Say About God? e Elements ofOld Testament Theology. Este último é uma tradução de Theologie des Altes Testamenis in Grundzugen (publicado no Brasil como Teologia do Antigo Testamento pela Paulinas). Esses dois livros são muito semelhantes e têm essencialmente o mesmo esboço. O livro de 1979 está baseado em uma série de palestras feitas no Union Theological Seminary em Richmond, na Virginia, em 1977. Westermann insistia que a tarefa da teologia do Antigo Testamento é resumir e ver em conjunto o que o Antigo Testamento como um todo diz sobre Deus.
O Antigo Testamento não tem um centro teológico, como o Novo Testamento. Temos de apresentar a teologia do Antigo Testamento da maneira como o Antigo Testamento o faz: em forma de narrativa ou história, baseado em eventos em vez de conceitos. Sem dúvida a idéia da tradição ou tradições ocupa hoje um lugar central nos estudos do Antigo Testamento, especialmente na área da teologia do Antigo Testamento.
Tradição pode referir-se ao processo de transmissão assim como ao conteúdo do material passado para frente. Walter Harrelson referiu-se a uma definição estreita de tradição, que fala de passar adiante o que  alguém (ou um grupo) recebeu da maneira que o recebeu. As tradições podem mudar ou aumentar no curso das transmissões, mas o processo de transmissão tem de manter intacto o que foi recebido. O último artigo em Tradition and Theology é “Tradition and Biblical Theology”, escrito por Hartmut Gese. Como professor de Antigo Testamento em Tubingen, Gese seguiu a maneira de Von Rad estudar a história das tradições de Israel. Ele estava convicto de que o Antigo Testamento e o Novo não devem ser separados, como os cristãos já fizeram no passado. Ele diz que há apenas um cânon, O mesmo processo de formação do cânon do Antigo Testamento continuou no período do Novo Testamento e dos apóstolos. Gese argumentou que existe uma unidade entre o Antigo e o Novo Testamento. A morte e ressurreição de Jesus indicam o objetivo, o fim, o tetos do percurso da tradição bíblica. Por isso, com a morte e ressurreição de Jesus, o cânon se encerra onde não se encerrara antes.
Em 1983, Simon J. de Vries publicou The Achievements of Biblical Religion. Esse livro procura a compreensão bíblica de um ponto de vista rigorosamente histórico e exegético, destacando temas específicos que distinguem Israel dos seus vizinhos. De Vries afirmou que esses elementos distintivos respondem pelo fato de o Antigo Testamento ter sobrevivido e ser relevante até hoje. Os temas específicos que diferenciavam Israel são: 1) a transcendência de Deus; 2) a imagem divina espelhada na pessoalidade humana; 3) a vida de integridade realizada na comunidade da aliança; 4) a história como diálogo responsável com Deus; e 5) sentido e propósito na existência finita. Esses cinco temas dão título aos cinco capítulos do seu livro. De Vries concluiu que existe unidade na Bíblia e que “de Gênesis a Apocalipse dá-se testemunho do mesmo Deus, avançando de época em época, levando suas obras à perfeição cada vez maior”.
Em 1983, Martin H. Woudstra escreveu um artigo sobre “The Old Testament in Biblical Theology and Dogmatics”, em que tratou do interesse atual no Antigo Testamento e seu lugar na dogmática. Woudstra observou que Gabler foi o primeiro a considerar a idéia de “mito” um termo adequado para compreender a natureza da narrativa bíblica. Gabler minou a autoridade dos credos da igreja e disse que o estudo erudito da Bíblia é um “esforço esotérico”. Um livro recente sobre a história da teologia do Antigo Testamento, Old Testament Theology: its History and Development, de Hayes e Prussner, assume essa posição “judaica” de que Woudstra falou. Trata-se da expansão, revisão e atualização por Hayes da tese de doutorado de Prussner na Universidade de Chicago em 1952. O livro se compõe de cinco capítulos: 1) os primeiros “The OId Testament in Biblical Theology” desenvolvimentos da teologia do Antigo Testamento; 2) a teologia do Antigo Testamento no século XVIII; 3) a teologia do Antigo Testamento no século XIX; 4) o renascimento da teologia do Antigo Testamento; e 5) desenvolvimentos recentes da teologia do Antigo Testamento. Excelentes bibliografias atualizadas iniciam cada divisão principal. Os cristãos têm um grande apreço por sua herança judaica, mas sua ênfase nos atos redentores de Deus encontrados no Antigo Testamento levou de modo natural e bíblico, segundo o Novo Testamento, a Cristo. Como muitos judeus rejeitam as afirmações dos cristãos a respeito de Jesus, Barr pensou que na estrutura do cristianismo estava embutida uma tendência de desprezar o judaísmo. Parece que Hayes e Prussner tinham a forte impressão de que o judaísmo fora prejudicado pelos teólogos bíblicos, e se esforçaram para corrigir a situação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário